País
Comboios suprimidos, encurtados e trocados: como está a onda de calor a afetar os transportes?
A ferrovia portuguesa já sente os efeitos das altas temperaturas. A Fertagus reduziu o número de carruagens nos comboios da tarde de sexta-feira, dia em que a CP cancelou seis Intercidades. Na véspera, uma passageira grávida relatou à RTP Antena 1 um "calor insuportável" que levou à paragem de uma viagem e à substituição de comboios. A operadora pública reconhece "limitações" na climatização das carruagens Arco.
“As temperaturas excecionalmente elevadas colocam desafios acrescidos a qualquer sistema ferroviário”, escreveu a CP – Comboios de Portugal num longo texto nas redes sociais e enviado à RTP Antena 1, já em plena onda de calor.
O filme já tinha sido visto no estrangeiro: nem todos os comboios reagem bem às altas temperaturas sentidas na Europa, levando ao cancelamento de viagens.
Na tarde desta sexta-feira, a transportadora portuguesa assumiu que está a tomar “medidas extraordinárias”. Está a vender menos bilhetes em comboios de longo curso, pedir que se evitem deslocações nos períodos de maior calor e reforçar a água disponível em várias estações, por exemplo.
E para “reduzir o risco de degradação das condições de refrigeração durante a viagem”, a CP “tomou uma decisão difícil, mas necessária”: suprimiu seis comboios Intercidades nesta sexta-feira.
Tratam-se de dois comboios entre Lisboa Santa Apolónia e Guarda, dois entre Lisboa Santa Apolónia e Porto Campanhã e outros dois entre Lisboa Oriente e Faro.“Calor insuportável”. Intercidades mudou carruagens
A preocupação com os sistemas de climatização estão no centro destas medidas e nem todas as carruagens da CP têm capacidade de se manterem frescas.
A última quinta-feira trouxe um exemplo drástico, em que um comboio Intercidades Lisboa Santa Apolónia – Porto Campanhã com carruagens Arco (compradas pela CP à operadora espanhola Renfe e que foram recuperadas em Portugal) teve de ser rendido no Entroncamento pelas automotoras de um comboio regional.
“Quando entrei na carruagem, até estava contente porque estava fresca efetivamente”, relata Milene Matos à RTP Antena 1. Mas o ambiente começou a mudar em Santarém: “Liguei para a linha de apoio da CP a reportar que estava um calor insuportável”.
Passageira do Intercidades relatou à jornalista Alexandra Madeira o calor sentido a bordo
Descreve que dentro da carruagem as pessoas começaram a sentir-se mal. Ao passar no Entroncamento, surge o revisor “encharcado em suor a dizer que a viagem ia ser suprimida” dali adiante.
Milene, com a gravidez já a terminar, agradeceu um leque cedido por outra passageira e aguardou como tantos outros no calor da estação, à espera de uma solução. Foram retirados os passageiros de um comboio regional para Tomar – estavam a ser usadas as automotoras 2240, sabe a RTP Antena 1 – e assim rumaram ao Porto.
No entanto, apurou a rádio, já não aconteceu a viagem de regresso também planeada com carruagens Arco, com partida do Porto às 19h45. CP: carruagens Arco têm “limitações” na climatização
Esta situação não será inédita. O 24notícias noticiou que no dia 18 de junho, segundo pôde testemunhar, o mesmo comboio Intercidades - com carruagens Arco e que saiu
de Lisboa às 15h30 – começou a ficar com o ar pesado à saída de Vila Franca de Xira, não havendo ventilação no interior de três carruagens.
Com material circulante globalmente envelhecido e a guardar a chegada dos novos comboios, nos últimos anos a recuperação das carruagens Arco, adquiridas à Renfe em 2020, tornou-se numa das formas da CP conseguir aumentar a frota.
Em resposta a questões da RTP Antena 1, a CP reconhece um problema de base nas carruagens Arco, “fabricadas há cerca 30 anos” e com sistemas “concebidos e dimensionados para contextos operacionais distintos dos atuais”.
“A ocorrência de temperaturas mais elevadas e períodos de calor mais prolongados, que resultam das alterações climáticas, veio evidenciar limitações em alguns sistemas de climatização, que não foram projetados para responder de forma plenamente eficaz nas condições atuais da operação”, admite.
Ainda que tenham sido modernizadas em Portugal, “não foi possível a substituição de alguns sistemas” das Arco, “como é o caso dos equipamentos que compõem o sistema de climatização”.
A operadora afirma que está a estudar possíveis soluções e melhorar o conforto dos passageiros, sem especificar o que está a ser pensado.
O filme já tinha sido visto no estrangeiro: nem todos os comboios reagem bem às altas temperaturas sentidas na Europa, levando ao cancelamento de viagens.
Na tarde desta sexta-feira, a transportadora portuguesa assumiu que está a tomar “medidas extraordinárias”. Está a vender menos bilhetes em comboios de longo curso, pedir que se evitem deslocações nos períodos de maior calor e reforçar a água disponível em várias estações, por exemplo.
E para “reduzir o risco de degradação das condições de refrigeração durante a viagem”, a CP “tomou uma decisão difícil, mas necessária”: suprimiu seis comboios Intercidades nesta sexta-feira.
Tratam-se de dois comboios entre Lisboa Santa Apolónia e Guarda, dois entre Lisboa Santa Apolónia e Porto Campanhã e outros dois entre Lisboa Oriente e Faro.“Calor insuportável”. Intercidades mudou carruagens
A preocupação com os sistemas de climatização estão no centro destas medidas e nem todas as carruagens da CP têm capacidade de se manterem frescas.
A última quinta-feira trouxe um exemplo drástico, em que um comboio Intercidades Lisboa Santa Apolónia – Porto Campanhã com carruagens Arco (compradas pela CP à operadora espanhola Renfe e que foram recuperadas em Portugal) teve de ser rendido no Entroncamento pelas automotoras de um comboio regional.
“Quando entrei na carruagem, até estava contente porque estava fresca efetivamente”, relata Milene Matos à RTP Antena 1. Mas o ambiente começou a mudar em Santarém: “Liguei para a linha de apoio da CP a reportar que estava um calor insuportável”.
Passageira do Intercidades relatou à jornalista Alexandra Madeira o calor sentido a bordo
Descreve que dentro da carruagem as pessoas começaram a sentir-se mal. Ao passar no Entroncamento, surge o revisor “encharcado em suor a dizer que a viagem ia ser suprimida” dali adiante.
Milene, com a gravidez já a terminar, agradeceu um leque cedido por outra passageira e aguardou como tantos outros no calor da estação, à espera de uma solução. Foram retirados os passageiros de um comboio regional para Tomar – estavam a ser usadas as automotoras 2240, sabe a RTP Antena 1 – e assim rumaram ao Porto.
No entanto, apurou a rádio, já não aconteceu a viagem de regresso também planeada com carruagens Arco, com partida do Porto às 19h45. CP: carruagens Arco têm “limitações” na climatização
Esta situação não será inédita. O 24notícias noticiou que no dia 18 de junho, segundo pôde testemunhar, o mesmo comboio Intercidades - com carruagens Arco e que saiu
de Lisboa às 15h30 – começou a ficar com o ar pesado à saída de Vila Franca de Xira, não havendo ventilação no interior de três carruagens.
Com material circulante globalmente envelhecido e a guardar a chegada dos novos comboios, nos últimos anos a recuperação das carruagens Arco, adquiridas à Renfe em 2020, tornou-se numa das formas da CP conseguir aumentar a frota.
Em resposta a questões da RTP Antena 1, a CP reconhece um problema de base nas carruagens Arco, “fabricadas há cerca 30 anos” e com sistemas “concebidos e dimensionados para contextos operacionais distintos dos atuais”.
“A ocorrência de temperaturas mais elevadas e períodos de calor mais prolongados, que resultam das alterações climáticas, veio evidenciar limitações em alguns sistemas de climatização, que não foram projetados para responder de forma plenamente eficaz nas condições atuais da operação”, admite.
Ainda que tenham sido modernizadas em Portugal, “não foi possível a substituição de alguns sistemas” das Arco, “como é o caso dos equipamentos que compõem o sistema de climatização”.
A operadora afirma que está a estudar possíveis soluções e melhorar o conforto dos passageiros, sem especificar o que está a ser pensado.
Linha de Cascais não tem ventilação “uniforme”
Uma fonte ferroviária relatava à RTP Antena 1 que, por vezes, há situações em que o sistema de climatização não funciona em algumas carruagens nos comboios suburbanos de Lisboa, que não usam as carruagens Arco.
No caso da Linha de Cascais, a rádio pública tomou conhecimento, no final da tarde de quinta-feira, de alguns comboios com carruagens “isoladas” por causa de avarias no ar condicionado e outros com climatização insuficiente.
Para José Nunes, as piores viagens são à tarde. “Nas horas de ponta é muita gente e o ar condicionado satisfaz de certa forma, mas são muitas pessoas”, comentava este passageiro à RTP Antena 1 por volta das 8 horas na quinta-feira, na estação do Cais do Sodré, em Lisboa, depois ter feito uma viagem “fresquinha” desde Carcavelos.
Já em Oeiras o passageiro Afonso Ruiz, também utilizador habitual da Linha de Cascais, nota que o ar condicionado varia muito: “A ventilação não é uniforme em todas as carruagens, o sistema parece funcionar em algumas e noutras não”, sem esquecer que a lotação dos comboios influencia também a qualidade do ar.
Fertagus reduz carruagens
Reconhecendo impactos das temperaturas, a Fertagus reduziu na tarde desta sexta-feira o número de carruagens em seis comboios entre Roma-Areeiro, em Lisboa, e Coina, no distrito de Setúbal.
“Devido às temperaturas elevadas registadas em várias regiões do país e ao impacto destas condições na circulação ferroviária, verificou-se uma avaria no sistema de ar condicionado de uma das unidades, tornando necessária a alteração da composição de alguns comboios”, avisou a empresa nas redes sociais.
Em vez de circularem comboios de oito carruagens (unidades duplas), a Fertagus informou que seis horários teriam unidades simples, ou seja, com quatro carruagens.
Uma fonte ferroviária relatava à RTP Antena 1 que, por vezes, há situações em que o sistema de climatização não funciona em algumas carruagens nos comboios suburbanos de Lisboa, que não usam as carruagens Arco.
No caso da Linha de Cascais, a rádio pública tomou conhecimento, no final da tarde de quinta-feira, de alguns comboios com carruagens “isoladas” por causa de avarias no ar condicionado e outros com climatização insuficiente.
Para José Nunes, as piores viagens são à tarde. “Nas horas de ponta é muita gente e o ar condicionado satisfaz de certa forma, mas são muitas pessoas”, comentava este passageiro à RTP Antena 1 por volta das 8 horas na quinta-feira, na estação do Cais do Sodré, em Lisboa, depois ter feito uma viagem “fresquinha” desde Carcavelos.
Já em Oeiras o passageiro Afonso Ruiz, também utilizador habitual da Linha de Cascais, nota que o ar condicionado varia muito: “A ventilação não é uniforme em todas as carruagens, o sistema parece funcionar em algumas e noutras não”, sem esquecer que a lotação dos comboios influencia também a qualidade do ar.
Fertagus reduz carruagens
Reconhecendo impactos das temperaturas, a Fertagus reduziu na tarde desta sexta-feira o número de carruagens em seis comboios entre Roma-Areeiro, em Lisboa, e Coina, no distrito de Setúbal.
“Devido às temperaturas elevadas registadas em várias regiões do país e ao impacto destas condições na circulação ferroviária, verificou-se uma avaria no sistema de ar condicionado de uma das unidades, tornando necessária a alteração da composição de alguns comboios”, avisou a empresa nas redes sociais.
Em vez de circularem comboios de oito carruagens (unidades duplas), a Fertagus informou que seis horários teriam unidades simples, ou seja, com quatro carruagens.